Trajetória do Cuidado

Este vídeo é uma breve apresentação do caminho que sustenta meu trabalho.
Não é uma aula, nem uma explicação técnica.
É um convite à escuta e ao encontro.

Antes de falar do que faço, escolhi contar um pouco de como cheguei até aqui.

Eu nunca segui o caminho mais fácil.Sempre segui o caminho que fazia sentido.

Eu me formei em Psicologia em 1982.

Naquele tempo, a Psicologia ainda era muito nova no Brasil.
A Psicologia Hospitalar sequer era reconhecida como área de atuação.

Enquanto muitos buscavam caminhos mais seguros,
eu fui atrás das minhas inquietações.

Em uma época em que se falava sobretudo da psicoprofilaxia da gravidez,
do parto ideal, do bebê saudável,
eu me vi caminhando por outros lugares:
a oncologia, o pronto-socorro, as urgências e emergências,
as UTIs.

Muito jovem, no início da minha carreira,
percorri caminhos complexos de forma bastante solitária.
Ouvi muitas críticas.
Muitas incompreensões.

Como psicóloga, eu precisava olhar para onde a vida parecia desaparecer
— e ainda assim encontrar a vida que há na morte.

No mestrado, realizado no Hospital A.C. Camargo,
esse olhar se aprofundou.
Fui ouvir as dores dos médicos que lidavam com a morte
como parte do seu cotidiano de trabalho.
Ali, aprendi que quem cuida também sofre,
e que o silêncio institucional pode ser tão adoecedor
quanto a própria perda.

No doutorado, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo,
escolhi novamente um tema que poucos queriam tocar:
falar da morte com crianças.
Não foi um caminho confortável.
Nem incentivado.
Mas foi o caminho que eu sabia sustentar.
E esse trabalho acabou se tornando referência para muitos.

Ao longo desse percurso, havia algo que sempre me acompanhou:
a literatura.
Eu sempre encontrei caminhos de elaboração e cuidado nos livros.
Usava a leitura na minha prática profissional,
mesmo quando isso soava estranho para muitos.

No doutorado, pude validar teoricamente e eticamente
aquilo que eu já vivia na prática.
Hoje, o que chamamos de biblioterapia está mais disseminado.
Mas, para mim, ela sempre foi menos uma técnica
e mais um modo de escutar, simbolizar e cuidar.

Ao longo da minha trajetória como professora,
eu sempre dizia aos meus alunos:
onde houver lugar para a Psicologia,
se houver base teórica, técnica e ética que a sustente,
siga em frente.

Essa frase nunca foi apenas um conselho.
Foi o modo como eu mesma caminhei.

Hoje, sigo a mesma ética.
Em vez de atalhos, escolho presença.
Em vez de promessas rápidas, escolho processos.
Em vez de gritar soluções, escolho conversar.

Não trabalho com fórmulas prontas.
Trabalho com cuidado, com escuta, com tempo.
Com saúde mental entendida como algo que precisa de chão,
e não de espetáculo.

Este site é a apresentação desse caminho.
Do que eu sei fazer.
Do que posso sustentar.
E do que posso oferecer.

Se o que você encontrou aqui fizer sentido,
será um prazer conversar.
Ver juntos de que forma posso contribuir
para dar lugar à saúde mental
— nas pessoas, nas instituições,
nos contextos onde o cuidado é necessário.

Sempre caminhei pela floresta.
Entre medos, silêncio e coragem.
E é por esse caminho que continuo.

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